quinta-feira, 19 de novembro de 2009

NO CONSULTÓRIO

Bom, já que o senhor quer escutar meu caso... É que eu nunca dei caronas pra estranhos. Às vezes dá até dó de alguns coitados que ficam acenando com a mão na beira da pista, mas nos dias de hoje é tudo perigoso demais, entende? Não dá pra confiar, e em cidade grande, sempre que alguém tenta ser muito bonzinho, ele se fode. Além do mais, mesmo que o carona tenha boa índole, eu não o conheço, nunca o vi na vida. E sou muito ruim pra puxar papo com estranhos. Iríamos ficar sem jeito, ele, grato pela minha boa ação, tentaria ser amistoso e me perguntaria coisas sobre o tempo, falaria mal do governo, comentaria sobre os resultados da rodada passada do futebol e eu tentaria ser cortês achando aquilo tudo um saco. Não, definitivamente prefiro continuar sem dar carona.

Acontece que certo dia eu vi uma loira maravilhosa pedindo carona. E o senhor já viu alguma mulher bonita ter dificuldade pra conseguir algo? Eu nunca vi mulher bonita ser multada em blitz. Nunca vi ninguém negar favor a uma mulher bonita. Nunca vi mulher bonita trocar sozinha o pneu de um carro, enfim...mulher bonita não precisa nem estudar. Mas quem disse isso não fui eu, apesar de concordar com parte dessa filosofia. Quem vive entoando isso é o Nelsinho, lá da firma. Minha opinião é que pra uma mulher não precisar estudar, ela tem que ser muito, mas muito maravilhosa. E muito, mas muito gostosa. E a loira pedindo carona não precisava estudar.

Parei o carro no acostamento e perguntei pra onde ela ia. Ela me disse - com sua voz, longe de ser bonita ou doce, coisa que destoou da sua beleza - um endereço que era o extremo oposto da minha direção usual. Refleti bem em questão de milésimos e respondi “Estou justamente indo pra lá! Que coincidência, não?”.

Putz, ela entrou no carro, e a Roberta, conforme se apresentou, me deixou tão alucinado que virei uma matraca. Logo eu, que odeio conversar assuntos clichês com estranhos. Mas com ela estava ótimo reclamar que o engarrafamento era culpa do Lula, discutir sobre a forte chuva do dia anterior ou sobre a quase morte do Juvenal Antena no tiroteio da Portelinha, na novela das oito. Mas só recorri a este assunto porque achei que não seria uma boa hora pra falar do mengão.

Meia-hora depois, estávamos no local aonde Roberta desceria. Ela preferiu que eu não a deixasse na porta de sua casa. Rolos com ex-namorado etc etc etc. Encostei o carro aonde ela pediu, embaixo de uma mangueira, perto de uma praça, num lugar que vez o outra passava alguém. Conversávamos a esmo quando ela me interrompeu com sua voz exótica dizendo que eu era muito simpático, ao que respondi que a recíproca era verdadeira, que ela era simpaticíssima. Após esta troca mútua de gentilezas, pintou um clima. A gente se beijou e eu, polvo que sou, tentava minhas investidas naquelas coxas grossas e malhadas que ela tinha, mas a gostosa sempre tirava minha mão no primeiro toque! Desisti das pernas e de imediato tentei os seios, e pra minha surpresa, tive sucesso! Cheirei seu pescoço e quando beijava seu colo, prestes a tirar a alça da sua blusa, senti algo gelado no pescoço e escutei um clic.

- Puta que pariu...ela te assaltou. Você registrou ocorrência na polícia?

- Você tá louco, doutor? Registrar ocorrência na polícia?

- Ué! Mas não é isso que se deve fazer?

- ...

- E ela levou sua carteira, seu carro?

- Não. Na verdade...não era uma bandida.

- Se com uma arma no seu pescoço ela não era bandida, o que era?

- Ninfo.

- Não acredito! Sortudo de uma figa! Eu ouvi falar disso num e-mail que recebi! A mulher ninfomaníaca te seqüestra, te usa ao bel prazer e vai embora...

- O senhor não entendeu, doutor. Eu disse ninfo, no masculino.

- ...

- ...

- A gente falava de...a gente falava de, ah, perdão, nem sei mais o que dizer.

- Não diga nada, doutor. Só me responde o seguinte: o senhor é realmente o melhor proctologista da região?

***

Relevem, o conto é antigo e não foi revisado ou revistado.

E há conto safado novo lá na Escrita Salaz, meu bloguinho cafajeste. Querem um trechinho do conto?

"
Ísis era branquinha, de cabelos pretos e longos, boca apertada e quando fazia sexo anal sentia tesão de pingar."

Esquizofrenia, o novo conto da Escrita Salaz.

É claro que os menores de idade e de espírito, já diria a poetisa Van Luchiari, não acessarão, certo? ;)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

PEQUENO CLICHÊ AMOROSO

Em vinte e dois anos de vida jamais haviam amado assim. Bom, pelo menos era o que achavam sentir. E por isso saíram do conforto de suas respectivas casas - bairros bons, quartos próprios, comidinha da mamãe, mesadinha do papai e roupinha lavada pela empregada - para viverem juntos seu amor incondicional, de três meses.

Casaram-se às pressas e à revelia dos pais, os abordaram da pior forma imaginável para falar do assunto, mas mesmo assim, confiavam no amor que sentiam. Contra tudo e todos. Em todos, inclui-se eles mesmos. Afinal, sempre sabemos quando estamos fazendo uma grande lambança, todavia insistimos em tampar o sol com a peneira.

A rotina, a instabilidade profissional de ambos e as dívidas foram cruciais para o desencanto, mas foi a falta de espaço que contribuiu rapidamente para os deixarem lúcidos, enxergando que o tal amor louco não passava de vontade de dormir juntos e fazerem amor como animais. Porque, passada a novidade, perdeu a graça brincar de casinha. E esta caiu justamente no dia em que ela na têpêeme e ele cervejado de happy hour discutiram. Resultado: ela o mandou dormir no sofá da sala. Ele, a contragosto, se jogou no pufe que havia há alguns passos da cama. A moça, obviamente, não se sentiu contemplada, pois no auge da raiva esquecera que moravam em uma pequena kitnet.

***
Inspirado no nanoconto:
Mandou o marido para o sofá da sala, reclamando que seu ronco não a deixava dormir. Mas continuou insone, afinal, eles moram em uma kitnet.

*Ilustração extraída do blogue Linha da Última Resistência.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A ESCRITA SALAZ

Povo, tem blogue novo na área. É A Escrita Salaz.

Pronto. Dei vazão à minha escrita escrachada. Tudo de perverso, libertino, devasso e licencioso que eu queria postar aqui na Coluna Fantasma, mas achava, de certa forma, estranho, já que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa bem diferente, agora estará por lá.

Segue trechinho do novo conto por lá. E se puderem, deem uma olhada no primeiro post, que esclarece sobre a criação do blogue. Abraços.

"Prometeram um ao outro ser aquela a maior maratona sexual da história, uma vez tratar-se de apenas dois dias de encontro..."

sábado, 19 de setembro de 2009

EVITANDO PARA EVITAR

Sempre achei Alícia a mulher mais perfeita que Deus colocou no mundo. Se Deus é brasileiro, eu não sei. O que sei é que Ele torce muito por mim, do contrário teria colocado uma mocréia bem chata pra cruzar meu caminho. Aliás, toda mulher mocréia, ou melhor dizendo, desprovida esteticamente, acaba virando também uma chata. E toda mulher que é um pé-no-saco, acaba virando uma baranga daquelas. Uma qualidade - se assim posso chamar -, caminha com a outra, nunca separada.

Mas Ele torce por mim e colocou em minha vida a Alícia. Minha esposa é tudo pra mim, é a encarnação de um anjo, de uma beleza tão paradisíaca, de modo que eu seria capaz de passar o dia inteiro olhando-a, velando teu sono, ou apenas admirando a beleza dos seus gestos, como seu espreguiçar ou seu bocejar. De uma compreensão justa e sincera, cativante como ninguém, bondosa...na boa, não é de mentira, quando Deus a desenhou, como diz aquele maconheiro, o Armandinho, Ele só podia estar fazendo algo muito bom, como namorar. E digo mais, depois que a fez jogou a fôrma fora, porque sei que não há no mundo mulher igual a minha.

Acontece que, se Alícia é um anjo, Diana é o demônio. E seu tridente é aquele maldito vestido preto e branco de malha que ela insiste em vir na sexta-feira. Sabe, quando vejo uma mulher bem turu, mas bem feia mesmo, penso que Deus deve ter tirado tudo dela e colocado em Diana. Toda vez que vejo uma mulher feia, penso nisso. E aqui na firma tem mulher feia pra dedéu, daí você tira o tanto que a desgramada da estagiária é bela. Imagina: tudo que era pra ser das derrubadas foi parar em um só lugar: Diana. Cabelo, boca, pernas, seios, bunda e tatuagens a serviço do mal-feito. Parece até uma dessas mulheres capas de revista as quais Jabour chamou certa vez de comestíveis. Não há nadinha na mulher que você olhe e ache de menos. A maldita estagiária conseguiu deixar boquiaberto até o Marquinhos da Gerência de Qualidade aqui da firma, um homossexual tão assumido, mas tão assumido, que se resolvesse dar em cima dela, seria lesbianismo.

Mas enfim, começaram com um papo meio estranho, diziam que Diana se derretia por mim. Embora eu achasse que isso era coisa da cabeça daqueles velhos babões e tarados que não têm uma Alícia como a minha na casa deles, eles continuavam a entoar e espalhar que ela me dava mole et cetera. Só aí você tem duas variáveis predominantes do rádio-corredor do trabalho de qualquer um. Primeira: entoam tanto que fulano comeu ciclana ou que ciclana dá para fulano que aquilo vira um mantra e o universo move os dois para que aconteça. E a segunda é aquela coisa retórica que tem na publicidade; te falam tanto de certa coisa, como que Diana me dava mole, mas tanto, que é inevitável, você passa a acreditar.

Resolvi então tirar a prova dos nove. Convidei a estagiária pra um café despretensioso na copa. Ela ficou tão serelepe com o convite, que assim, endossou a mixiricada dos velhos vigaristas da minha seção. Ela falava sem parar. E eu, claro, joguei com a experiência dos meus trinta e cinco anos. Deixei-a falar, deixei-a falar um monte. Se há uma coisa que mulher gosta nesse mundo mais do que comprar em liquidação é de ser ouvida. E isso não há faixa etária. E enquanto ela falava e gesticulava demasiadamente – típico da idade de vinte e dois anos –, me tocava o tempo inteiro e deu um jeito de me abraçar por duas vezes. Isso, somado às inúmeras vezes que mexeu no cabelo ou o arrumou demonstraram que ela realmente estava a fim de rock. E eu, bom, fui adepto do “se está no inferno, abrace o capeta”, ou a Diana. O que dá na mesma.

Marcamos um happy hour pra o dia seguinte. Doeu dizer para minha doce Alícia que chegaria mais tarde em casa naquele dia, pois haveria uma confraternização com o pessoal do trabalho. O amor da minha vida deve ter entendido que seria uma cervejada com a rapaziada, pois nem deu bola ou manifestou interesse em participar. E eu não menti. Só não disse que seria um happy hour a dois, com a estagiária mais maravilhosa que o mundo já viu.

No dia seguinte, já no serviço, comecei a elucubrar um monte de situações. Iríamos a um vinheiro, beberíamos e conversaríamos. Então, se ela fosse do racha mesmo, o que seria mais provável, transaríamos. Porra, ela é uma delícia! Como eu dispensaria uma mulher daquela, com aquele par de coxas, com aquela bunda, com aqueles seios, com aquele cabelo, com aquela boca? Não conseguiria. Começaríamos a nos encontrar furtivamente, a transarmos em todos os lugares, de aventura passaria a ser um caso, de caso pra amante, com suas devidas cobranças (a filial dá sempre, sempre o mesmo trabalho que a matriz), até arruinar meu casamento com minha deusa Alícia.

Por outro lado, se ela não fosse tão dada e fizesse jogo duro, além de me sentir mal por trair minha estimada Alícia por alguns beijinhos adolescentes, continuaria instigado a transar com ela, porque se você é homem, sabe que a essa altura do campeonato, quem toma o controle da situação é o nosso pênis. Mas enfim... eu ainda teria que arranjar outro dia ideal, inventar outra mentira pra minha esposa, sustentar a lorota depois com a ajuda de colegas, encarar outra saída com a estagiária, ficar outra vez na aflição de encontrar alguém e ainda havia o risco dela se apaixonar...E imagina se ela é uma dessas loucas barraqueiras, igual a namorada do Pedrão do Cadastro? Não, definitivamente, não seria legal. E me deu tanta preguiça pensar em tudo o que eu precisaria fazer pra emplacar a Diana que desisti. Liguei pra ela e inventei uma desculpa costurada, como diz o Átila do marketing, desmarcando a saída. E foi justamente nesse dia que eu não devia ter chegado mais cedo em casa.

*Foto extraída de The Magnificent World.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

UM MÉNAGE GAY

Estou com falta de tempo e preguiça de tirar do papel umas dez ideias de textos, além de estar focado em outros objetivos pessoais. É também essa a mesma razão por eu não ter visitado blogue algum, não é folga, não, viu!

De qualquer forma, se o lado comportado do cérebro não tem funcionado bem, a mente suja aqui continua trabalhando aos borbotões. Por isso, há texto novo lá no Guerra de Travesseiro.

Lembrando que lá no GT a coisa é mais ou menos uma novelinha. Então, ler o conto anterior ajudará a entender este, cujo título é aquele ali em cima mesmo.

Bom, acessem e comentem por lá, porque aqui estará desativada a opção. E não custa lembrar que aqueles que tiverem menos de dezoito anos não acessaram o link, certo? ;)

Segue agora, trechinho do conto:
"Bom, digamos que prefiro dizer para mim mesma que me apaixono por todos com quem transo. Mesmo que sejam paixões efêmeras de vinte minutos..."

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

UMA SENHORA VINGANÇA

Como a inspiração anda em falta mesmo, segue mais um continho vigarista. Mas prometo que em breve os textos comportados voltam.


***

Alguns homens têm fetiches os quais as mulheres não realizam de forma alguma. E com certa razão.

- Não, Téo, já disse que não!
- Poxa, vai, por favor? Nem deve ser tão ruim assim...
- Ah, não. Então faz você e me diz. Se for bom, eu faço.
- Mas isso não é coisa que homem faça, digo, homem de verdade, não. É coisa de mulher...
- Não, Téo! Para, chega!
- Olha só, já até vi em alguns filmes e...
- Téo, você quer me irritar? Tá conseguindo!
- Tá bem, tá bem...


***
- Hummmm, tá gostoso, meu amor?
- Tá, sim, meu bem. Vai, vai...ahhhhhh...delícia.
- Amor, Teozinho, olha lá, hein, não esquece de me avisar, tá?
- ...
- ...
- Po-po-de-de deixaaaaarrrrr, amooooooooooor...
- ...
- Desculpe, meu bem, não consegui segurar, desculpe.
- ...
- Você tá bem? Tá calada...ficou chateada?
- ...
- Mais ou menos? Desculpe, amor, não vai mais acontecer, poxa, não fique assim...posso te dar um beijo pra fazermos as pazes?
- ...
- Esse aceno positivo com a cabeça significa sim?
- ...
- Que bom então! Vem cá, meu amor... PORRA, MALU! QUE SACANAGEM É ESSA! PORQUE NÃO ME AVISOU QUE AINDA TAVA NA SUA BOCA?

***
Baseado no nanoconto:
Ele se desculpou, ela só sorriu. Quando a beijou, entendeu o porquê daquilo: ela queria se vingar, e para tanto, não engoliu seu esperma.


*Imagem extraída de Kasa de João.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O TELEMARKETING

- André, Anatel, bom dia, em que posso ajudar?
- A melhorar meu dia, que tal?
- Sim, senhora. O que está ocorrendo?
- Acontece que blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, e então chegou essa conta de cinco mil reais no nome da minha mãe pra ela pagar! Só que esse número de telefone fixo não é nosso!
- Sim. A senhora poderia estar aguardando um instante na linha enquanto descrevo sua reclamação?
- Ah, não! Nem vem com essa! Você vai me pôr na musiquinha e na última vez que me falaram isso a ligação caiu!
- Correto, senhora. No caso...
- No caso, nada! Pode dar um jeito de fazer isso sem me pôr naquela maldita musiquinha!
- Errr...bom...é que...senhora, é que do contrário não conseguirei tomar nota de tudo e...
- Olha, não quero saber! Qual seu nome mesmo? Ah, é André, né? Pronto, André, ou você faz isso comigo na linha ou ligo agora no Procon e digo que o culpado foi você! Entro no site da Anatel e digo que você me atendeu mal!
- Mas senhora...
- Vai ou não vai fazer?
- Vou, sim. Vou estar fazendo isso agora!
- Obrigada.
- Qual o nome da senhora?
- Karina.
- Ok, só um segundo enquanto eu digito isso. E....senhora....
- O que foi?
- A senhora se incomoda de retornar logo mais? É que nosso sistema caiu...
- Ahhhhhhhhhhhhh! Não! Eu não vou ligar logo mais! Eu vou resolver isso, e vai ser hoje! Ou melhor, agora! Nem que eu tenha que ficar na linha esperando!
- Mas senhora...
- Olha aqui, André, eu sei que você não tem culpa, mas por conta dessa causa, digo, por causa dessa conta eu já passei um mau bocado hoje! Então eu vou ficar bem aqui esperando o sistema voltar!
- Olha, pode demorar um pouquinho...
- Tudo bem, eu espero.
- ...
- ...
- ...
- Já voltou?
- Não, senhora.
- André, olha só, sabe por que a coitadinha da mamãe tá ali deitada agora?
- Não, senhora.
- Porque se assustou com o valor da conta errada que chegou e quase teve um infarto!
- Entendo, senhora.
- André, na conta tem um monte de ligações pra Colômbia!
- Sim. Ela pensou que vocês fizeram as ligações.
- Não, não. É que eu namorei um traficante que fazia a ponte Colômbia-Brasil trazendo cocaína mesmo!
- ...
- É claro que eu tô mentindo!
- Entendo.
- Putz, você atendentes de telemarketing são tão sem sal! Falam pouco e quando abrem a boca é pra usar as mesmas expressões: “certo”, “correto”, “entendo”, “no caso disso”, “no caso daquilo” etc.
- Correto.
- Ai, saco! Já me estressou de novo! E minha mãezinha acabou de gemer ali do quarto! Esse sistema volta ao ar ou não volta?
- Sim, voltou agora, senhora!
- Ah, então faz a descrição do meu problema logo aí pra eu pegar o protocolo e...
- Certo. Mas a senhora poderia explicar novamente? É que alguns pontos ficaram um pouco obscuros.
- Obscuros?
- Isso.
- Explicar tudo novamente?
- Correto, senhora.
- Tudo bem, André! E explico de novo! Eu disse que BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ, BLÁ! MAS A CONTA DE CINCO MIL REAIS NÃO É NOSSA! NÓS NÃO TEMOS ESSE NÚMERO DE TELEFONE, OUVIU? NÃO TEMOS! NÃO TEMOS!
- Sim, senhora Karina, entendo. Compreendi e já descrevi a situação. E para que eu possa estar finalizando o cadastro, preciso do número de protocolo de reclamação da sua operadora. A senhora tem ele em mãos?

Tu-tu-tu-tu-tu....